A resposta curta é: depende
No mercado de trabalho, ideias não circulam em estado puro. Elas circulam mediadas por contexto, hierarquia, clima institucional e percepção de risco. Por isso, a leitura de um autor controverso não produz efeitos automáticos. Produz efeitos condicionados.
Para profissionais que dependem de ambientes altamente institucionalizados, como universidades, grandes corporações ou setores regulados, o problema não está na leitura, mas na associação pública direta. O risco não é intelectual, é político. Já para profissionais autônomos, empreendedores ou pessoas em posições de liderança consolidada, a leitura tende a funcionar como ampliação de repertório estratégico.
Há ainda um fator decisivo: o que você faz com o que leu. Leitores imaturos reproduzem frases e provocam atritos desnecessários. Leitores maduros absorvem critérios, refinam o juízo e sabem traduzir ideias para diferentes contextos sem citar fontes.
Do ponto de vista de formação profissional, a obra de Olavo contribui para habilidades raras no mercado: leitura crítica, resistência ao pensamento padronizado, capacidade de identificar manipulação discursiva. Essas competências são valiosas, mas discretas. Elas funcionam melhor quando aparecem nos resultados, não no discurso.
Portanto, a leitura não atrapalha a carreira. O que atrapalha é a incapacidade de separar formação pessoal de performance profissional. Quem sabe fazer essa distinção transforma leitura em vantagem silenciosa.
