Lançado em 2010, o documentário A Agenda ( O documentário está disponível no Youtube), dirigido por Curtis Bowers, propõe uma tese ousada e inquietante. A América, e por extensão o Ocidente, está sendo corroída por dentro por uma agenda revolucionária de viés marxista. Mais do que apenas uma crítica política, o filme é uma denúncia estratégica, baseada em documentos, depoimentos e análises históricas, sobre como as ideias de esquerda se infiltraram nos pilares da sociedade: educação, mídia, família, religião e governo, com o objetivo final de destruir o modo de vida ocidental.
Longe de ser uma produção neutra, o documentário assume abertamente uma postura conservadora e cristã, buscando alertar seus espectadores para o que considera uma guerra cultural silenciosa, porém implacável. Ainda que polêmico e contestado por muitos, A Agenda oferece um ponto de partida importante para compreender o impacto das ideias revolucionárias na decadência moral e institucional do Ocidente.
Uma estratégia de longo prazo
Ao contrário do marxismo clássico, centrado na luta de classes e na revolução econômica, o documentário foca no que chama de marxismo cultural. Essa vertente trocou as trincheiras econômicas pelas arenas culturais. Essa mudança de estratégia é atribuída principalmente à Escola de Frankfurt e ao pensador italiano Antonio Gramsci, que defendia a tomada da cultura como pré-requisito para a conquista do poder político.
Segundo Curtis Bowers, o fracasso das revoluções comunistas em países industrializados no início do século XX fez com que os teóricos marxistas reformulassem suas táticas. A nova abordagem consistia em infiltrar ideias subversivas nas universidades, nas artes, no jornalismo e nos movimentos sociais. O objetivo era promover uma revolução moral e cultural capaz de enfraquecer os fundamentos tradicionais da civilização cristã-ocidental.
O papel das instituições na moagem da América
O título do documentário, Grinding America Down ( Moendo a América para baixo), alude a um processo contínuo de erosão. Para Bowers, esse processo é visível no desmantelamento da família tradicional, na relativização da moral cristã, na banalização da violência e da sexualidade, no colapso da educação pública e na hipertrofia do Estado.
Cada uma dessas áreas, segundo o filme, foi alvo deliberado de infiltração ideológica. A escola deixou de formar cidadãos e passou a ser instrumento de doutrinação. A mídia se tornou difusora de valores anticristãos. A religião foi reduzida a uma experiência subjetiva ou abandonada. A cultura popular foi erotizada e corrompida. A política passou a ser palco de promessas igualitaristas que, no fundo, levam à servidão estatal.
Ativistas, intelectuais e políticos
O documentário identifica diversos agentes que teriam contribuído conscientemente ou não para a implementação dessa agenda revolucionária. Entre eles, destacam-se líderes sindicais, professores universitários, artistas, jornalistas e políticos de esquerda. Figuras como Saul Alinsky, autor de Rules for Radicals, são apontadas como influências decisivas no pensamento da nova esquerda americana.
Ao destacar como essas ideias foram absorvidas por movimentos feministas, ambientalistas, antirracistas e LGBTQIA+, A Agenda afirma que muitas causas sociais legítimas foram instrumentalizadas para fins revolucionários. O foco, portanto, não está apenas nos personagens, mas na lógica subterrânea que une essas lutas em uma metanarrativa ideológica que visa à desconstrução da ordem tradicional.
A influência do Partido Comunista Americano
Um dos pontos mais controversos do documentário é a menção à atuação histórica do Partido Comunista Americano (CPUSA) e da KGB soviética na infiltração ideológica durante a Guerra Fria. Depoimentos de ex-agentes e ex-membros comunistas sugerem que, embora as atividades da KGB estivessem voltadas principalmente para espionagem, havia também uma preocupação explícita com a subversão cultural dos Estados Unidos por meio da propaganda e da manipulação de movimentos sociais.
Ainda que o colapso da União Soviética tenha desmobilizado o comunismo como ameaça militar, o documentário sustenta que a agenda continuou viva na forma de uma mentalidade anticapitalista e anticristã que ainda domina os meios intelectuais e culturais do Ocidente.
O feminismo como instrumento de engenharia social
Entre os movimentos destacados no documentário, o feminismo ocupa um lugar central como vetor de transformação social. Para Curtis Bowers, o feminismo moderno foi sequestrado por ideologias que visam não à valorização da mulher enquanto pessoa, mas à sua instrumentalização como força revolucionária. O discurso da opressão patriarcal teria sido exagerado ou deturpado para gerar ressentimento, dividir a família e minar o papel natural da maternidade.
O filme mostra que o feminismo, ao negar as diferenças entre os sexos e propor a mulher como inimiga do homem, contribuiu para o colapso das famílias e para o aumento da dependência estatal. Em vez de liberdade, promoveu servidão emocional, solidão e perda de identidade. O objetivo oculto, segundo o documentário, não era empoderar a mulher, mas torná-la mais vulnerável à manipulação ideológica.
A farsa do ambientalismo radical
Outro movimento analisado é o ambientalismo, que teria se tornado uma ferramenta para a expansão do poder estatal sob a justificativa de salvar o planeta. O documentário distingue a legítima preocupação ecológica da ideologia ambientalista que transforma o meio ambiente em religião política. Líderes ambientalistas são retratados como agentes conscientes de uma nova forma de controle populacional e redistribuição de riqueza.
O discurso ecológico serviria, portanto, para justificar intervenções econômicas, aumento de impostos, regulamentações draconianas e limitação das liberdades individuais. A ideia de crise climática permanente funciona como mecanismo de medo e obediência. Bowers afirma que por trás da retórica verde está a velha meta vermelha: o controle absoluto da sociedade por elites ideologizadas.
Degradação moral e colapso institucional
Um dos efeitos mais visíveis da agenda, segundo o documentário, é a degradação moral da sociedade. O aumento da violência, do consumo de drogas, da promiscuidade e da dissolução familiar são apontados como sintomas de um mal mais profundo: a perda do senso de propósito, responsabilidade e transcendência.
O Estado, em vez de corrigir esses desvios, passa a se expandir para controlá-los, criando uma população dependente de políticas assistencialistas e vulnerável ao controle ideológico. O resultado é uma sociedade menos livre, menos virtuosa e mais manipulável.
A falsa promessa do igualitarismo
Outro ponto abordado é a crítica ao ideal igualitário que permeia o discurso moderno. O documentário sustenta que a igualdade, quando absoluta e imposta, leva necessariamente à tirania. Ao nivelar os indivíduos por baixo e desvalorizar o mérito, a agenda revolucionária ataca a própria ideia de excelência, liberdade e responsabilidade pessoal, que são fundamentos da civilização americana.
Reconstruir a cultura
O filme não se limita à denúncia. Ele propõe um caminho de reação. A resposta, segundo Bowers, deve partir de uma reconstrução dos fundamentos culturais. É necessário restaurar a autoridade moral da família, recuperar o papel educador da religião, valorizar o trabalho duro, o mérito, a verdade e a liberdade.
Essa reconstrução passa também pelo engajamento político local, pela retomada das escolas, igrejas e meios de comunicação por cidadãos conscientes e comprometidos com valores tradicionais. O documentário defende que a solução não está apenas na política nacional, mas nas pequenas decisões comunitárias que moldam o espírito de uma nação.
A crença cristã aparece como elemento indispensável para a resistência contra o avanço do niilismo cultural. A fé, ao fornecer um sentido último à vida e um código moral objetivo, serve de antídoto contra o relativismo moderno. Mais do que um adereço espiritual, a religião é apresentada como o alicerce de uma civilização.
Por isso, A Agenda termina com uma mensagem de esperança. Ainda é possível reverter o processo de decadência, mas isso exigirá coragem, clareza moral e ação estratégica por parte dos cidadãos comuns.
O essencial em poucas linhas
O documentário A Agenda é, sem dúvida, uma denúncia social relevante. Para muitos analistas, trata-se de uma análise lúcida e necessária sobre os perigos da corrosão moral do Ocidente. Concordando ou não com sua tese principal, ele levanta questões importantes para o debate contemporâneo. Existe mesmo uma guerra cultural em curso? Estamos ameaçados por inimigos invíveis? Se a resposta for afirmativa, o preço de nossa liberdade será a eterna vigilância?
